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Plataformas e negócios · Pesquisa aplicada

Trama Digital e a economia da criação de conteúdo

Pesquisa sobre participantes, produção, relações comerciais e sustentabilidade da criação de conteúdo.

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NOTA DE ENQUADRAMENTO CIENTÍFICO E EDITORIAL

Este documento consolida, em formato de artigo científico, a arquitetura metodológica estabelecida no Caderno 01 - Plano Mestre de Pesquisa e Produção e a desenvolve em direção a uma proposta conceitual completa de Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo. O texto deve ser lido como pesquisa aplicada de revisão e sistematização conceitual: seu objeto não é medir causalmente comportamentos de mercado, mas construir uma linguagem analítica consistente, rastreável e útil para organizar um ecossistema caracterizado por elevada sobreposição de papéis, rápida transformação tecnológica e multiplicidade de modelos econômicos.

A opção metodológica central consiste em separar identidade do agente, função, formato, canal, relação econômica, modelo de monetização e intermediação. Essa separação permite reconhecer que uma mesma pessoa ou organização pode ocupar múltiplas posições simultâneas sem que isso represente incoerência classificatória. A contribuição proposta é, portanto, taxonômica e relacional: em vez de perguntar apenas "quem é" um participante da economia da criação de conteúdo, o modelo pergunta também "o que faz", "como e onde atua", "como se relaciona", "onde gera valor", "como monetiza" e "quem viabiliza ou intermedeia" sua atuação.

Para fins de integridade científica, definições institucionais apresentadas como "Definição proposta" são tratadas neste documento como formulações analíticas propostas, derivadas da comparação de fontes e sujeitas a validação institucional antes da publicação definitiva. As fontes de mercado e entidades setoriais são utilizadas como evidência do vocabulário e da organização prática do setor, enquanto a literatura acadêmica fornece categorias para analisar trabalho, influência, celebridade, plataformização, visibilidade, profissionalização e poder de infraestrutura.

A denominação economia da criação de conteúdo favorece a compreensão em português. Trama Digital identifica a organização editorial dos seis eixos; a mudança dos rótulos preserva as distinções analíticas e as fontes, sem representar, por si só, validação empírica. Nas referências, títulos adaptados ao português mantêm os links das obras consultadas.

RESUMO

A economia da criação de conteúdo consolidou um ecossistema econômico, cultural e tecnológico no qual criação de conteúdo, influência, audiência, comunidade, plataformas, publicidade, comércio, propriedade intelectual e serviços digitais se articulam por múltiplas relações de valor. Entretanto, o vocabulário utilizado pelo mercado e pela literatura especializada permanece heterogêneo: creator, influencer, UGC creator, streamer, podcaster, key opinion leader, afiliado, embaixador de marca e creator entrepreneur frequentemente aparecem em listas planas, apesar de descreverem fenômenos de naturezas distintas. Este artigo propõe uma Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo, construída por pesquisa aplicada qualitativa, bibliográfica, documental e analítico-comparativa. O corpus combina referências estruturantes do Interactive Advertising Bureau (IAB), adaptação e pesquisas do IAB Brasil, mapeamentos do mercado brasileiro, estudo acadêmico nacional, orientações regulatórias e autorregulatórias, documentos internacionais e literatura de referência sobre creator culture, influencer industry, trabalho digital e plataformização. O protocolo de análise é composto por cinco operações: mapear, comparar, contextualizar, sistematizar e propor. Como resultado da análise comparada, o artigo propõe organizar o ecossistema em seis dimensões: agente; formato e canal; função; relação econômica; negócio e monetização; intermediação e infraestrutura. A análise comparada sustenta a proposição de que categorias da economia da criação de conteúdo são, em grande medida, cumulativas e relacionais. "Afiliado", por exemplo, descreve prioritariamente uma relação econômica baseada em performance, enquanto "streamer" descreve sobretudo um formato de produção; "influencer" enfatiza capacidade de influência; e "creator entrepreneur" descreve transformação de ativos criativos e relacionais em empreendimento. O modelo pretende oferecer linguagem comum e auditável para pesquisa, comunicação institucional, empresas, creators, agências, plataformas e formuladores de políticas públicas, preservando especificidades do mercado brasileiro e capacidade de atualização diante de inteligência artificial, conteúdo sintético e novos mecanismos de monetização.

Palavras-chave: economia da criação de conteúdo; taxonomia; criadores de conteúdo; influência digital; plataformas digitais; monetização; trabalho de plataforma.

ABSTRACT

The content creation economy has consolidated an economic, cultural, and technological ecosystem in which content creation, influence, audiences, communities, platforms, advertising, commerce, intellectual property, and digital services are connected through multiple value relationships. Yet the vocabulary used by industry actors and specialized literature remains heterogeneous: creator, influencer, UGC creator, streamer, podcaster, key opinion leader, affiliate, brand ambassador, and creator entrepreneur are frequently arranged as flat categories even though they refer to phenomena of different analytical natures. This article proposes a Brazilian Multidimensional Taxonomy of the content creation economy through qualitative, bibliographic, documentary, and comparative-analytical applied research. The corpus combines structural references from the Interactive Advertising Bureau (IAB), Brazilian adaptations and studies from IAB Brasil, mappings of the Brazilian market, national academic research, regulatory and self-regulatory guidance, international institutional documents, and key literature on creator culture, the influencer industry, digital labor, and platformization. The analytical protocol comprises five operations: mapping, comparing, contextualizing, systematizing, and proposing. The comparative analysis supports a proposed organization of the ecosystem into six dimensions: actor; format and channel; function; economic relationship; business and monetization; intermediation and infrastructure. The analysis indicates that many content creation economy categories can be treated as cumulative and relational rather than mutually exclusive. "Affiliate", for example, primarily describes a performance-based economic relationship, whereas "streamer" primarily describes a production format; "influencer" emphasizes the capacity to influence; and "creator entrepreneur" describes the transformation of creative and relational assets into an enterprise. The model aims to provide a shared and auditable language for research, institutional communication, companies, creators, agencies, platforms, and policymakers, while preserving Brazilian market specificities and remaining updateable in the face of artificial intelligence, synthetic content, and new monetization mechanisms.

Keywords: content creation economy; taxonomy; content creators; digital influence; digital platforms; monetization; platform labor.

1 INTRODUÇÃO

A economia da criação de conteúdo tornou-se uma expressão guarda-chuva para descrever atividades econômicas e culturais baseadas na produção, distribuição, circulação e monetização de conteúdo, conhecimento, reputação, audiência, comunidade e propriedade intelectual em ambientes digitais. Seu desenvolvimento está diretamente associado à expansão das plataformas sociais, à profissionalização da criação de conteúdo e ao surgimento de intermediários especializados em conectar creators, marcas, audiências, comércio e tecnologias de mensuração. Ao mesmo tempo, a velocidade dessa expansão foi acompanhada por um problema conceitual: diferentes agentes do mercado utilizam vocabulários parcialmente sobrepostos, com fronteiras variáveis entre identidade profissional, função comunicacional, formato de conteúdo, relação comercial e fonte de receita.

O IAB publicou em 2025 o documento Economia da criação de conteúdo: definições e taxonomia [título traduzido] com o objetivo explícito de promover uma linguagem compartilhada e padronizar termos centrais para marcas, agências, plataformas e creators (IAB, 2025a). O movimento foi complementado pelo Mapa do ecossistema da economia da criação de conteúdo [título traduzido], atualizado em fevereiro de 2025, que organiza categorias, processos e inter-relações do ecossistema e reforça uma leitura ecossistêmica que ultrapassa a figura do creator individual (IAB, 2025b). No Brasil, o IAB Brasil traduziu e adaptou esse mapa para o contexto nacional, enfatizando a necessidade de um entendimento compartilhado entre diferentes participantes do mercado (IAB BRASIL, 2025a).

O problema, contudo, não se resolve apenas com a criação de um glossário. A literatura acadêmica examinada discute o universo dos creators em conexão com processos mais amplos de celebridade digital, trabalho criativo, empreendedorismo, plataformização e gestão algorítmica da visibilidade. Abidin (2018) descreve a diversidade de formas de fama e microcelebridade na internet; Cunningham e Craig (2019) situam creators em uma nova indústria de social media entertainment; Hund (2023) analisa a consolidação da influencer industry e sua busca permanente por autenticidade; Duffy (2017) evidencia tensões entre trabalho aspiracional, autonomia e precariedade; e Poell, Nieborg e Duffy (2022) analisam como plataformas reconfiguram mercados, infraestrutura, governança e práticas de produção cultural.

No Brasil, Karhawi (2017) registra a evolução histórica do termo influenciador digital e sua relação com práticas anteriores, como blogs e produção multiplataforma. Trabalhos posteriores aprofundam a relação entre creators, métricas, algoritmos e trabalho de visibilidade (KARHAWI, 2024), bem como os efeitos de ritmos de trabalho condicionados por plataformas (KARHAWI; PRAZERES, 2022). O estudo de Pereira e Borges (2024), apresentado no 47º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, também procura mapear o ecossistema da economia da criação de conteúdo no país, reforçando a pertinência de uma abordagem relacional e contextualizada.

Este artigo parte da hipótese de que uma lista plana de categorias é insuficiente para representar o ecossistema. Termos como creator, influencer, streamer, afiliado e brand ambassador não pertencem necessariamente ao mesmo nível analítico. "Streamer" tende a indicar forma predominante de criação e distribuição; "afiliado" descreve prioritariamente uma relação econômica baseada em performance; "brand ambassador" descreve uma relação continuada com uma marca; "influencer" enfatiza capacidade de influência e capital relacional; e "creator entrepreneur" descreve a transformação de ativos criativos em empreendimento. Uma única pessoa pode combinar todos esses atributos.

O objetivo deste estudo é, portanto, propor uma Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo, tecnicamente fundamentada, rastreável e capaz de representar simultaneamente identidade, função, formato, canal, relação econômica, monetização e intermediação. A proposta não pretende substituir taxonomias existentes. Seu propósito é oferecer uma camada de sistematização adaptada ao contexto brasileiro e adequada à comunicação pública da pesquisa, preservando diálogo com referências internacionais, práticas de mercado e literatura científica.

2 PROBLEMA, HIPÓTESE E OBJETIVOS

2.1 Delimitação do problema

O problema central de pesquisa decorre da coexistência de categorias semânticas de naturezas diferentes. Algumas expressões identificam agentes ou posições sociais; outras descrevem funções, formatos, canais, relações comerciais, modelos de remuneração, tecnologias ou estruturas intermediárias. Quando esses elementos são colocados em uma única lista, a taxonomia confunde níveis analíticos e dificulta a interpretação de fenômenos híbridos.

A pergunta de pesquisa é: como estruturar uma taxonomia brasileira da economia da criação de conteúdo capaz de representar adequadamente agentes, funções, formatos, canais, relações econômicas, mecanismos de monetização, intermediários e infraestrutura, sem reduzir o ecossistema a categorias mutuamente excludentes?

2.2 Hipótese de trabalho

A hipótese de trabalho é que a economia da criação de conteúdo pode ser representada com maior precisão analítica por um sistema multidimensional de atributos do que por uma classificação unidimensional baseada apenas na denominação do profissional. Nessa perspectiva, cada participante pode ser descrito por uma configuração de dimensões complementares. A hipótese também considera que algumas categorias utilizadas cotidianamente pelo mercado são ontologicamente distintas: umas dizem respeito ao sujeito, outras à atividade, ao vínculo econômico, ao ativo monetizado ou à infraestrutura que permite a circulação de valor.

2.3 Objetivo geral

Propor e fundamentar uma Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo capaz de explicar quem participa do ecossistema, o que cada participante faz, como cria e distribui conteúdo, como se relaciona economicamente, onde gera valor, como monetiza e quais agentes e infraestruturas intermedeiam sua atuação.

2.4 Objetivos específicos

Identificar conceitos e categorias recorrentes nas principais taxonomias, mapas setoriais, pesquisas e trabalhos acadêmicos selecionados.

Comparar definições e distinguir convergências, divergências e ambiguidades de escopo.

Separar categorias de agente, formato/canal, função, relação econômica, negócio/monetização e intermediação/infraestrutura.

Contextualizar conceitos internacionais à realidade terminológica e econômica brasileira.

Propor definições institucionais curtas e tecnicamente fundamentadas para conceitos essenciais do Guia.

Produzir uma estrutura de rastreabilidade que permita reconstruir a relação entre fonte, decisão conceitual e formulação final.

Examinar implicações emergentes de inteligência artificial, conteúdo sintético, mensuração e proteção de crianças e adolescentes.

Converter os resultados em arquitetura adequada tanto a um artigo científico quanto a uma publicação visual e sintética no acervo da autora.

3 REFERENCIAL TEÓRICO-CONCEITUAL

3.1 Economia da criação de conteúdo como ecossistema

A primeira decisão conceitual é tratar a economia da criação de conteúdo como ecossistema. Essa escolha desloca a análise de uma profissão específica para um conjunto de relações entre criação, distribuição, audiência, tecnologia, marcas, plataformas, publicidade, comércio, serviços, propriedade intelectual e infraestrutura. O IAB (2025b) organiza seu mapa justamente para oferecer uma referência visual das categorias, processos e inter-relações entre creators, representação, marcas e plataformas. A adaptação do IAB Brasil (2025a) reforça essa leitura ao apresentar o mapa como instrumento para contextualizar e organizar informações no mercado brasileiro.

Na literatura, Cunningham e Craig (2019) descrevem a emergência de uma indústria de entretenimento em mídias sociais que combina práticas de creators, ecossistemas de plataformas e novas formas de intermediação. Poell, Nieborg e Duffy (2022) ampliam esse enquadramento ao situar a plataformização da produção cultural em três dimensões institucionais - mercados, infraestrutura e governança - e em transformações das práticas de trabalho, criatividade e poder. A economia da criação de conteúdo pode ser entendida, assim, como uma formação econômica na qual a criação de conteúdo é apenas um dos elementos de uma cadeia mais ampla de produção e captura de valor.

3.2 Creator, influencer e celebridade digital

Creator e influencer são frequentemente usados como sinônimos, mas a literatura e as práticas de mercado permitem distinguir seus centros de gravidade. Em sentido analítico, creator pode ser associado à centralidade da criação: conteúdo, conhecimento, criatividade, expertise, formatos ou propriedade intelectual. Influencer, por sua vez, enfatiza capacidade de influenciar percepções, escolhas e comportamentos por meio de reputação, autoridade, confiança e vínculo com uma audiência. Essa distinção não implica exclusão mútua. Um creator pode também ocupar uma posição de influencer, e muitos influencers produzem conteúdo de forma continuada; a sobreposição, contudo, não torna as categorias equivalentes.

Abidin (2018) demonstra que a celebridade na internet assume múltiplas formas e não se limita a uma definição comercial de influencer. Hund (2023) enfatiza que a indústria da influência depende de performances de autenticidade produzidas dentro de um sistema profissionalizado, no qual visibilidade e confiança são convertidas em oportunidades econômicas. No Brasil, Karhawi (2017) mostra que a noção de influenciador digital resulta de uma trajetória histórica de profissionalização e diversificação de plataformas, o que torna inadequado reduzir a categoria a uma única mídia ou formato.

3.3 Trabalho criativo, visibilidade e profissionalização

A economia da criação de conteúdo também é um campo de trabalho. Duffy (2017) evidencia o paradoxo do trabalho aspiracional: a promessa de autonomia, expressão pessoal e monetização pode coexistir com atividades não remuneradas, competição intensa, desigualdades e incerteza econômica. O creator não monetiza apenas um produto final; frequentemente precisa manter presença contínua, construir marca pessoal, negociar com plataformas e anunciantes, aprender métricas, gerenciar comunidade e adaptar-se a mudanças de algoritmo.

Karhawi (2024) propõe o conceito de trabalho de visibilidade para discutir como influenciadores dependem de sistemas algorítmicos e métricas de engajamento. A visibilidade não é um recurso dado, mas um resultado instável de práticas, regras de plataforma e processos de mensuração. Karhawi e Prazeres (2022) mostram, adicionalmente, que a pressão por desempenho e adaptação pode produzir exaustão algorítmica. Esses achados são relevantes para a taxonomia porque sustentam uma leitura em que "creator" não é tratado apenas como rótulo ocupacional, mas como posição situada em relações técnicas, econômicas e laborais.

3.4 Plataformas, intermediação e infraestrutura

Plataformas digitais exercem funções simultâneas de distribuição, descoberta, hospedagem, recomendação, mensuração e monetização. Elas definem affordances, políticas de conteúdo, regras de acesso a programas de receita, critérios de visibilidade e instrumentos de análise. Paralelamente, agências, talent managers, creator agencies, marketplaces, affiliate networks, adtechs e martechs conectam os diferentes lados do mercado. O ecossistema é, portanto, marcado por intermediação múltipla e por assimetrias de informação e poder.

O mapa do IAB (2025b) é especialmente relevante por mapear etapas e agentes associados a campanhas com creators, incluindo seleção, contratação, aprovação, pagamento, mensuração e conformidade. A taxonomia proposta neste artigo separa, por isso, "intermediação e infraestrutura" das categorias referentes ao creator. A existência de um creator marketplace, por exemplo, não descreve um tipo de creator, mas um mecanismo institucional que conecta oferta e demanda de serviços criativos.

A contextualização brasileira também mobiliza o Mapa brasileiro da economia da criação de conteúdo da YOUPIX, que organiza plataformas, agências, empresas de tecnologia, consultorias e outros intermediários ativos no mercado nacional, em versão consultada atualizada em setembro de 2025 (YOUPIX, 2025). Como contraste setorial internacional, o Influencer Marketing Code of Conduct, versão 4, de ISBA e IMTB, estrutura boas práticas esperadas de marcas, agências de talento e de influência e creators, com ênfase em contratação, mensuração, disclosure e temas emergentes como influenciadores virtuais e inteligência artificial (ISBA; IMTB, 2024). Esses materiais reforçam a decisão de tratar intermediação e infraestrutura como dimensão própria do ecossistema, e não como uma espécie de creator.

3.5 Monetização e creator entrepreneurship

A monetização na economia da criação de conteúdo não depende exclusivamente de publicidade. Receitas podem provir de marcas, plataformas, audiência, comércio, produtos e serviços próprios ou propriedade intelectual. O creator pode receber fee por campanha, revenue share de plataformas, assinaturas, gifts, tipping, comissões de afiliação, receitas de live commerce, vendas de cursos, consultoria, licenciamento, royalties ou exploração de marcas próprias. Pesquisas e mapeamentos do mercado brasileiro, como Creators & Negócios, mostram crescente interesse na profissionalização e sustentabilidade do creator como negócio (YOUPIX; BRUNCH, 2025).

Essa diversidade sustenta a categoria creator entrepreneur, entendida aqui como o agente que transforma conteúdo, conhecimento, audiência, comunidade, marca ou propriedade intelectual em empreendimento estruturado. O ponto central é que empreendedorismo não é um formato de conteúdo nem sinônimo de influência. É uma configuração de negócio que pode coexistir com diferentes formatos e relações comerciais.

A propriedade intelectual integra essa arquitetura de valor. Os materiais IP for Influencers, criados pelo European Union Intellectual Property Office (EUIPO) e pela Comissão Europeia no âmbito do Influencer Legal Hub, orientam creators quanto à proteção e à exploração de direitos autorais, marcas e desenhos, além do respeito aos direitos de terceiros (EUIPO; EUROPEAN COMMISSION, [s.d.]). Para a taxonomia, essa referência sustenta a inclusão de licenciamento, royalties, marcas, formatos e outros ativos intangíveis na dimensão de negócio e monetização, sem confundir propriedade intelectual com identidade profissional.

3.6 Publicidade, afiliação e transparência comercial

A relação entre criação de conteúdo e publicidade exige separar aparência do conteúdo e natureza econômica da relação. Conteúdos visualmente semelhantes podem estar associados a situações distintas: recomendação espontânea, permuta, publicidade patrocinada, branded content, afiliação ou UGC contratado. O IAB Brasil e a Digital Favela (2024) destacam a importância de reconhecer quando há publicidade e de sinalizar adequadamente o conteúdo comercial. O CONAR atualizou em 2026 seu Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais, detalhando transparência, identificação publicitária, apresentação verdadeira, proteção a crianças e adolescentes e uso de inteligência artificial (CONAR, 2026).

A FTC igualmente orienta que conexões materiais com marcas sejam divulgadas de forma clara, inclusive quando o benefício econômico não consiste em pagamento direto (FTC, 2019; 2023). Na União Europeia, o Influencer Legal Hub destaca que creators podem assumir posições jurídicas diferentes quando anunciam ou vendem produtos e serviços, reforçando a necessidade de distinguir identidade do agente e natureza da relação econômica (EUROPEAN COMMISSION, 2023).

3.7 Inteligência artificial, conteúdo sintético e mensuração

A inteligência artificial acrescenta novas camadas à taxonomia. Ela pode atuar como ferramenta de planejamento, roteirização, edição, tradução, dublagem, geração de imagem, voz sintética, avatar ou digital twin. O IAB Brasil (2025b) discute oportunidades de escala e desafios de autenticidade na economia da criação de conteúdo, enquanto o IAB (2026b) propõe um framework de transparência baseado em risco e materialidade para conteúdos e interações com participação de IA. Assim, a IA não deve ser tratada apenas como um "novo tipo de creator"; em muitos casos, é tecnologia transversal às dimensões de criação, formato, identidade sintética, transparência e infraestrutura.

A mensuração também se torna dimensão crítica. O IAB (2026a) identifica fragmentação de métricas, dependência de proxies e dificuldades de integrar creator media aos modelos empresariais de planejamento e atribuição. A taxonomia deve, portanto, distinguir audiência, influência e conversão: grande audiência não garante influência; influência não garante ação; e ação não equivale automaticamente a receita atribuível.

4 METODOLOGIA

4.1 Natureza e desenho da pesquisa

A pesquisa é aplicada, pois busca produzir uma solução conceitual e editorial utilizável em contexto institucional; qualitativa, por privilegiar interpretação e sistematização de significados; bibliográfica, por mobilizar livros e artigos acadêmicos; documental, por examinar taxonomias, mapas setoriais, guias, pesquisas de mercado, documentos regulatórios e materiais institucionais; e analítico-comparativa, por confrontar definições e estruturas para identificar convergências, divergências, lacunas e sobreposições.

4.2 Unidade de análise e corpus

A unidade de análise é o ecossistema da economia da criação de conteúdo, compreendendo pessoas, organizações, plataformas, conteúdos, audiências, comunidades, marcas, agências, tecnologias, marketplaces, redes de afiliados, mecanismos de monetização, propriedade intelectual, dados e fluxos econômicos. O corpus não é tratado como amostra estatística; trata-se de corpus teórico-documental selecionado por autoridade, relevância conceitual e capacidade de representar diferentes perspectivas do campo.

Na contextualização brasileira, dados quantitativos de pesquisas setoriais são utilizados como evidência empírica descritiva para testar aderência terminológica e econômica dos conceitos, respeitando o escopo e o método de cada estudo. Esses indicadores não são tratados como uma amostra única do ecossistema nem como validação estatística da taxonomia. A data de corte documental desta versão é 16 de setembro de 2026; fontes de natureza regulatória, tecnológica ou mercadológica permanecem sujeitas a revisão em versões posteriores.

Regra de normalização entre o roteiro e o artigo. O roteiro editorial apresenta seis perguntas centrais da taxonomia e, em sua tabela operacional, desdobra "Negócio" e "Monetização" em linhas separadas. Nesta versão científica, os dois elementos permanecem analiticamente distintos, porém reunidos na dimensão E - Valor e sustentabilidade, preservando a lógica das seis perguntas sem suprimir a diferença entre ativo/modelo de negócio e fonte de receita. Essa decisão é uma normalização metodológica e editorial do roteiro, não uma exclusão de conteúdo.

Nível

Categoria de evidência

Função metodológica

Fontes representativas

1

Referências estruturantes

Fornecer vocabulário e arquitetura inicial do ecossistema.

IAB US; IAB Brasil.

2

Contextualização brasileira

Testar aderência dos conceitos ao mercado e à linguagem nacional.

IAB Brasil/Offerwise; YOUPIX; Brunch; Pereira e Borges; Karhawi.

3

Contraste institucional internacional

Comparar publicidade, relações econômicas, transparência e enquadramentos.

European Commission; FTC; CONAR; entidades setoriais.

4

Fundamentação acadêmica

Aprofundar influência, trabalho, celebridade, plataformização e estruturas industriais.

Abidin; Cunningham e Craig; Duffy; Hund; Poell, Nieborg e Duffy; Karhawi.

Quadro 1 - Hierarquia analítica das evidências. Fonte: elaboração própria.

4.3 Critérios de inclusão e exclusão

Foram priorizadas fontes que atendem a pelo menos um dos seguintes critérios: autoridade institucional ou reconhecimento acadêmico/setorial; definição explícita de conceitos; apresentação de arquitetura taxonômica; descrição de relações econômicas ou modelos de monetização; dados relevantes para o mercado brasileiro; metodologia ou autoria identificável; e capacidade de contribuir para comparação ou validação conceitual.

Receberam baixo peso ou foram excluídos conteúdos promocionais sem metodologia, listas de termos sem autoria, materiais que apenas reproduzem definições sem indicar origem, conteúdos comerciais cujo interesse particular comprometa sua função como referência conceitual e formulações automatizadas sem rastreabilidade de evidências.

4.4 Protocolo de análise conceitual

Cada termo central é submetido a cinco operações sucessivas. Primeiro, mapeiam-se definições e usos. Em seguida, comparam-se convergências e divergências. A terceira etapa contextualiza a expressão no mercado brasileiro. Na quarta, sistematiza-se o termo em uma dimensão taxonômica e explicitam-se suas relações com outros elementos. Por fim, propõe-se uma definição institucional sintética e tecnicamente fundamentada.

Figura 1 do artigo; descrição e dados no texto adjacente.

Figura 1 - Protocolo metodológico: mapear, comparar, contextualizar, sistematizar e propor. Fonte: elaboração própria a partir do Plano Mestre da pesquisa.

4.5 Ficha de decisão conceitual

Para manter auditabilidade, cada conceito deve possuir ficha contendo: termo analisado; termo original; dimensão principal; definições encontradas; fontes; convergências; divergências; uso brasileiro; problema taxonômico; posição recomendada; definição proposta; e termos com os quais não deve ser confundido. Essa estrutura permite reconstruir o caminho entre evidência e redação final e reduz o risco de definições ad hoc.

4.6 Critérios de qualidade

Rastreabilidade: toda afirmação conceitual relevante deve poder ser associada a fontes identificadas.

Triangulação: conceitos centrais não devem depender exclusivamente de uma única fonte comercial ou institucional.

Coerência dimensional: categorias de naturezas diferentes não devem ser tratadas como equivalentes.

Contextualização brasileira: terminologia importada deve ser testada contra usos e relações observáveis no mercado nacional.

Atualidade: documentos sujeitos a rápida obsolescência tecnológica ou regulatória devem ser datados e revistos antes da publicação.

Clareza: a formulação final deve ser compreensível para leitores não especialistas sem perder precisão técnica.

Atualizabilidade: a taxonomia deve permitir inclusão de novas formas de atuação sem exigir reconstrução integral do modelo.

5 RESULTADOS: TAXONOMIA BRASILEIRA MULTIDIMENSIONAL

5.1 Por que a taxonomia plana é insuficiente

O principal achado da análise comparada sustenta a proposição de que parte importante do vocabulário da economia da criação de conteúdo responde a perguntas diferentes. Uma taxonomia plana pressupõe que todas as categorias disputam a mesma posição classificatória. O exame comparado das fontes oferece suporte para uma organização alternativa. "Creator" e "influencer" referem-se a identidades ou posições; "streamer" e "podcaster" enfatizam formato; "afiliado" enfatiza relação econômica e mecanismo de remuneração; "brand ambassador" enfatiza duração e natureza da relação com a marca; "creator marketplace" é infraestrutura de intermediação; e "revenue share" é mecanismo de monetização.

Assim, a classificação deve permitir múltiplos atributos simultâneos. Essa propriedade é especialmente importante porque a carreira de um creator pode combinar produção de conteúdo, influência, empreendedorismo, afiliação, patrocínio, venda direta e propriedade intelectual. A sobreposição deixa de ser vista como ruído e passa a ser tratada como característica estrutural do ecossistema.

5.2 As seis dimensões

Figura 2 do artigo; descrição e dados no texto adjacente.

Figura 2 - Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo: seis dimensões analíticas. Fonte: elaboração própria.

Dimensão

Pergunta central

Objeto

Exemplos

A - Identidade e presença

Quem é?

Natureza ou identidade funcional predominante do participante.

creator; influencer; KOL; virtual influencer.

B - Expressão e circulação

Como e onde atua?

Modalidade de criação e ambiente de distribuição.

vídeo; live; podcast; newsletter; plataformas sociais.

C - Atuação e contribuição

O que faz?

Atividade desempenhada no ecossistema.

criar; informar; entreter; influenciar; vender; ensinar.

D - Vínculos e trocas

Como se relaciona?

Natureza do vínculo, benefício ou transação.

publicidade; permuta; UGC contratado; afiliação; patrocínio; embaixadoria.

E - Valor e sustentabilidade

Onde está o valor e de onde vem a receita?

Ativos, modelo de negócio e fontes de receita.

fee; comissão; assinatura; payout; venda; licenciamento; royalties.

F - Redes e estruturas de apoio

Quem conecta ou viabiliza?

Atores, tecnologias e sistemas de suporte.

agências; managers; marketplaces; plataformas; adtechs; martechs; redes de afiliados.

Quadro 2 - Dimensões da Taxonomia Brasileira Multidimensional. Fonte: elaboração própria.

O roteiro editorial que originou a pesquisa formula seis perguntas centrais, mas, em seu quadro operacional, separa “Negócio” e “Monetização” em duas linhas. Para preservar a arquitetura das seis perguntas sem perder essa distinção, o modelo científico agrega ambos na dimensão E - Valor e sustentabilidade. Dentro dela, “negócio” identifica ativos e configurações de geração de valor, enquanto “monetização” identifica mecanismos e fontes de receita. A consolidação é, portanto, estrutural, e não uma supressão analítica.

5.3 Modelo relacional

Formalmente, um participante x pode ser representado por uma configuração T(x) = {A, B, C, D, E, F}, em que cada dimensão admite um ou mais atributos. O modelo não exige que todas as dimensões estejam sempre preenchidas, mas recomenda que a descrição analítica diferencie o que é identidade, formato, função, relação econômica, monetização e infraestrutura. Essa estrutura permite comparações mais consistentes e evita inferências indevidas, como presumir que todo influencer possui relação comercial com marcas ou que todo afiliado é influencer.

Exemplo hipotético: uma profissional pode ser classificada em A como creator + influencer; em B como vídeo + live + Instagram + YouTube; em C como informar + entreter + influenciar; em D como publicidade + afiliação + brand ambassador; em E como fee + comissão + produto próprio; e em F como plataforma + agência + marketplace. A pergunta deixa de ser "ela é creator ou influencer?" e passa a ser "qual é a configuração multidimensional de sua atuação?".

5.4 Cadeia de criação e captura de valor

Figura 3 do artigo; descrição e dados no texto adjacente.

Figura 3 - Cadeia analítica simplificada de criação e captura de valor. Fonte: elaboração própria.

A cadeia apresentada é analítica, não causal. Conteúdo pode gerar atenção; atenção pode formar audiência; audiência pode desenvolver comunidade; comunidade pode sustentar influência; influência pode favorecer ação ou conversão; e conversão pode gerar receita. Nenhuma seta, entretanto, é automática. Os estudos de mensuração do IAB (2026a) reforçam que métricas fragmentadas e proxies dificultam atribuir valor econômico de maneira padronizada. Por isso, a taxonomia separa audiência, influência, ação e receita em vez de tratá-las como etapas equivalentes.

5.5 Glossário taxonômico ampliado

Termo

Dimensão principal

Definição proposta

Não confundir com / observação

Creator

Agente

Pessoa ou organização que produz e distribui conteúdo, conhecimento, criatividade, formatos ou propriedade intelectual, podendo construir audiência, comunidade, influência e negócios.

Não é sinônimo necessário de influencer.

Influencer

Agente/posição

Participante cuja atuação se caracteriza de forma relevante pela capacidade de influenciar percepções, preferências ou comportamentos com base em reputação, autoridade, confiança ou vínculo com audiência.

Influência não depende apenas do número de seguidores.

UGC Creator

Agente + relação

Creator contratado prioritariamente para produzir conteúdo destinado ao uso por uma marca ou terceiro, sem depender de audiência própria como ativo central da contratação.

Diferenciar de conteúdo espontâneo de usuário.

KOL - Key Opinion Leader

Agente/posição

Pessoa cuja influência decorre principalmente de expertise, experiência ou autoridade reconhecida em determinado campo.

Pode ser creator ou influencer, mas a autoridade temática é central.

Streamer

Formato/posição

Creator cuja atividade é organizada predominantemente em torno de transmissões ao vivo ou contínuas.

Streamer descreve sobretudo forma de produção/distribuição.

Podcaster

Formato/posição

Creator que produz conteúdo episódico em áudio ou vídeo estruturado como podcast.

Pode atuar simultaneamente em outras modalidades.

Finfluencer

Agente/posição temática

Creator ou influencer especializado em finanças, investimentos ou temas econômicos relacionados.

A especialização temática não elimina obrigações regulatórias aplicáveis.

Virtual Influencer

Agente sintético

Persona digital criada total ou parcialmente por tecnologias digitais, podendo assumir funções de conteúdo, representação ou influência.

Diferenciar persona sintética de simples uso instrumental de IA por creator humano.

Brand Ambassador

Relação econômica

Pessoa que mantém associação continuada e reconhecível com uma marca, usualmente por período superior a uma ativação pontual.

Diferenciar de campanha isolada ou menção espontânea.

Afiliado

Relação + monetização

Participante de relação comercial em que a remuneração está vinculada, total ou parcialmente, a resultado mensurável como clique, lead ou venda.

Afiliado não é necessariamente influencer ou creator.

Branded Content

Relação/conteúdo

Conteúdo desenvolvido com participação, financiamento ou integração de marca de modo planejado, preservando lógica editorial ou narrativa específica.

A forma visual não define sozinha a natureza econômica.

Publipost

Relação/conteúdo

Conteúdo de divulgação publicitária produzido para ambiente digital, associado a relação comercial ou benefício material e sujeito a deveres de transparência.

Não confundir com recomendação espontânea sem vínculo.

Sponsorship

Relação econômica

Financiamento ou apoio econômico a conteúdo, projeto, evento, série ou iniciativa, com contrapartidas definidas.

Pode coexistir com outras formas de publicidade.

Social Commerce

Negócio/monetização

Processos de descoberta, promoção e compra de produtos ou serviços integrados a ambientes sociais digitais.

Pode envolver creator, marca, plataforma ou afiliado.

Live Commerce

Formato + negócio

Venda ou promoção comercial realizada em transmissão ao vivo, frequentemente combinando demonstração, interação e mecanismos de compra.

É formato comercial, não identidade profissional.

Revenue Share

Monetização

Modelo de remuneração em que creator ou parceiro recebe parcela de receita gerada por determinado conteúdo, audiência, publicidade ou transação.

Diferenciar de fee fixo.

Creator Entrepreneur

Agente + negócio

Creator que transforma conteúdo, conhecimento, audiência, comunidade, marca ou propriedade intelectual em empreendimento estruturado.

Empreendedorismo é configuração de negócio, não formato.

Creator Marketplace

Intermediação

Infraestrutura ou plataforma que conecta creators a oportunidades, marcas, campanhas, serviços ou transações.

Não é categoria de creator.

Economia da criação de conteúdo

Ecossistema

Ecossistema econômico, cultural e tecnológico baseado na criação, distribuição e monetização de conteúdo, conhecimento, audiência, comunidade, influência e propriedade intelectual, mediado por plataformas e intermediários.

É mais amplo do que influencer marketing.

Creator Business

Negócio

Estrutura empresarial ou modelo de negócio organizado em torno de ativos criativos, relacionais, intelectuais ou comerciais de um creator.

Pode existir com ou sem dependência predominante de publicidade.

Blogger / Newsletter Creator

Formato/canal

Creator cuja produção editorial se concentra em textos, artigos, blogs ou newsletters distribuídos em canal próprio ou plataforma digital.

Descreve sobretudo formato e canal; não define, por si só, o modelo de receita.

Infoprodutor

Agente + negócio

Creator ou empreendedor que transforma conhecimento ou expertise em produtos digitais, como cursos, e-books, materiais educacionais ou comunidades pagas.

É uma configuração específica de negócio; não é sinônimo necessário de creator entrepreneur.

Celebrity Influencer

Agente/posição

Pessoa com notoriedade pública preexistente ou ampliada em ambientes digitais que mobiliza essa visibilidade como capital de influência.

Celebridade e creator podem se sobrepor, mas notoriedade pública não implica produção continuada de conteúdo.

Kidfluencer

Agente/posição + governança

Criança ou adolescente que participa de ecossistemas de produção de conteúdo e influência.

A classificação deve ser acompanhada de salvaguardas de direitos, transparência econômica e adequação etária; não deve ser normalizada como mera categoria comercial.

Social Creator

Configuração de negócio/atuação

Creator cujo valor econômico se apoia de modo relevante na relação com audiência ou comunidade e na distribuição por plataformas sociais.

Arquétipo de mercado, não identidade exclusiva; pode coexistir com outras configurações.

Business Creator

Configuração de negócio/atuação

Creator que utiliza conteúdo, reputação, audiência ou expertise como ativos de aquisição, relacionamento ou venda para um negócio próprio.

Pode coexistir com infoprodutor e creator entrepreneur; descreve orientação de negócio.

Brand Creator

Configuração de negócio/atuação

Creator cujo modelo de valor se estrutura de modo relevante em marca, produtos, serviços, formatos ou propriedade intelectual próprios.

Pode coexistir com publicidade, licenciamento e creator entrepreneur; não é uma relação comercial isolada.

O glossário reúne os 20 conceitos expressamente previstos para a publicação visual e incorpora sete categorias adicionais presentes no mapeamento de tipos e configurações de atuação: blogger/newsletter creator, infoprodutor, celebrity influencer, kidfluencer, social creator, business creator e brand creator. Cada termo é posicionado segundo sua natureza predominante para evitar que identidades, formatos, relações econômicas e configurações de negócio sejam tratadas como equivalentes.

Quadro 3 - Glossário taxonômico ampliado e definições propostas. Fonte: elaboração própria a partir do corpus analisado.

5.6 Fontes de monetização

Origem da receita

Mecanismos exemplificativos

Observação taxonômica

Marcas

fee, campanha, publi, UGC contratado, branded content, patrocínio, brand ambassador.

Receita associada a relações B2B e comunicação comercial.

Plataformas

revenue share, payouts, creator programs, monetização publicitária.

Dependência de regras, elegibilidade e métricas da plataforma.

Audiência/comunidade

assinaturas, memberships, gifts, tipping, crowdfunding.

Monetização direta da relação com a comunidade.

Comércio

affiliate marketing, social commerce, live commerce.

Receita ligada a transação ou performance.

Negócios próprios

cursos, produtos, serviços, consultoria, eventos, marcas próprias.

Expansão do creator para atividade empresarial.

Propriedade intelectual

licenciamento, royalties, personagens, formatos, merchandising.

Monetização de ativos intangíveis e direitos.

Quadro 4 - Origens de receita na economia da criação de conteúdo. Fonte: elaboração própria.

6 DISCUSSÃO

6.1 Relação com a taxonomia do IAB

A proposta converge com o objetivo do IAB (2025a) de criar um léxico compartilhado e com o mapa ecossistêmico do IAB (2025b), mas acrescenta uma regra de organização: termos devem ser classificados segundo o tipo de pergunta que respondem. Essa regra é particularmente útil para uso institucional e didático porque reduz a tendência de comparar categorias incomparáveis. A taxonomia do IAB funciona como repertório estruturante; a proposta brasileira multidimensional funciona como camada de leitura e organização.

6.2 Contextualização brasileira

A adaptação brasileira precisa considerar linguagem, maturidade do mercado e formas locais de profissionalização. Para reforçar essa aderência sem converter evidência setorial em validação estatística da taxonomia, foram incorporados indicadores empíricos descritivos das fontes nacionais do corpus. Na Pesquisa #Publi 2024, IAB Brasil e Offerwise trabalharam com 1.500 respondentes e reportaram diferenças geracionais no consumo de conteúdo de influenciadores, nos temas buscados e nos formatos de publicidade analisados (IAB BRASIL; OFFERWISE, 2024). O resultado reforça a decisão de não usar tamanho de audiência como substituto automático de influência e de manter canal, audiência e relação econômica em planos analíticos distintos.

Na edição #Publi 2025, 7 em cada 10 brasileiros apontaram autenticidade como fator decisivo e 8 em cada 10 declararam já ter comprado produtos recomendados por creators; o estudo também registra diferenças geracionais no consumo de plataformas, a força de vídeos curtos e a pulverização da influência entre grandes nomes e microcreators (IAB BRASIL; OFFERWISE, 2025). Esses resultados não demonstram causalidade, mas reforçam empiricamente a necessidade de distinguir alcance, confiança, influência, ação ou conversão e monetização - constructos que a taxonomia separa.

A pesquisa Creators & Negócios 2025, da YOUPIX e Brunch, reporta que 41% dos creators do estudo ainda vivem de conteúdo patrocinado, por #publi ou UGC, e que um em cada dois creators com renda mensal superior a R$ 10 mil produz conteúdo há mais de cinco anos (YOUPIX; BRUNCH, 2025). O recorte documenta a coexistência, no universo pesquisado, entre publicidade, UGC, tempo de profissionalização e estratégias de negócio, oferecendo apoio contextual à separação analítica entre identidade do creator e dimensão E - Valor e sustentabilidade.

Pereira e Borges (2024), em pesquisa exploratória quantitativa e qualitativa com procedimentos bibliográficos e documentais, mapeiam o ecossistema brasileiro e recuperam as configurações brand creator, social creator e business creator, observando interseções e a assunção de múltiplos papéis ao longo do ciclo de negócios. Karhawi (2024), por sua vez, articula discussão teórica com exemplos empíricos de práticas voltadas à gestão da visibilidade em ambientes algorítmicos e propõe uma matriz do trabalho de visibilidade. Em conjunto, essas fontes oferecem triangulação brasileira para as dimensões de agente e configuração de negócio, formato e canal e intermediação e infraestrutura, sem eliminar a necessidade de teste empírico direto da taxonomia.

6.3 Implicações para creators, marcas, agências e plataformas

Para creators, o modelo pode apoiar a descrição da atividade sem reduzir a identidade profissional a uma única etiqueta. Para marcas, pode facilitar a seleção de parceiros com base em função e relação econômica, e não apenas em número de seguidores. Para agências e managers, torna analiticamente explícito o papel de intermediação. Para plataformas, explicita que distribuição, monetização, métricas e governança são componentes estruturais a considerar no ecossistema, e não apenas canais de distribuição.

Em termos contratuais, a separação dimensional também pode aumentar a clareza. Um acordo pode especificar formato do conteúdo, função esperada, direitos de uso, natureza da relação econômica, remuneração e intermediários envolvidos. A distinção entre UGC contratado e campanha de influência, por exemplo, reduz o erro de presumir que a audiência do creator é sempre o principal ativo comprado.

6.4 Mensuração: audiência, influência e conversão

A mensuração constitui uma fronteira crítica para a profissionalização da economia da criação de conteúdo. O IAB (2026a) identifica ausência de padrões suficientemente maduros para integração completa de creators a estratégias empresariais de mídia, com fragmentação de métricas e dificuldades de atribuição. A taxonomia proposta contribui ao separar constructos que não devem ser confundidos. Seguidores são medida de audiência potencial; engajamento pode indicar interação; influência envolve capacidade de afetar percepções ou decisões; conversão é ação observável; e receita depende de modelo econômico e atribuição.

6.5 Publicidade, disclosure e relação econômica

A distinção entre conteúdo editorial e conteúdo comercial não pode depender apenas da aparência da peça. CONAR (2026), FTC (2019; 2023) e European Commission (2023) convergem na importância de transparência quando existe relação material, publicidade ou venda. A taxonomia favorece esse enquadramento porque identifica explicitamente a dimensão D - Vínculos e trocas. Um mesmo vídeo pode ser editorial, patrocinado, afiliado, UGC contratado ou parte de embaixadoria de marca, dependendo do vínculo e da contraprestação.

6.6 Inteligência artificial e identidades sintéticas

A IA impõe uma distinção adicional entre tecnologia de produção e identidade do agente. Um creator humano pode usar IA generativa sem se tornar virtual influencer. Um virtual influencer, por sua vez, pode ser operado por equipe humana e incorporar diferentes níveis de geração sintética. O framework de transparência do IAB (2026b) é útil por tratar disclosure com base em risco, materialidade e modalidade de uso, incluindo texto, imagem, vídeo, áudio, vozes sintéticas e digital twins. Na taxonomia, IA pode aparecer transversalmente em formato/canal, infraestrutura, identidade sintética e governança de transparência.

6.7 Crianças e adolescentes como fronteira sensível

A participação de crianças e adolescentes como audiência, produtores de conteúdo ou agentes de influência exige tratamento específico e não deve ser normalizada apenas como subtipo comercial. A atualização do CONAR de 2026 inclui proteção a crianças e adolescentes entre os temas centrais de publicidade por influenciadores. Em uma versão futura ampliada da taxonomia, recomenda-se que kidfluencer seja acompanhado por camada de salvaguardas, direitos, governança familiar, transparência econômica e adequação etária, em vez de ser tratado apenas como segmento de audiência.

7 LIMITAÇÕES DA PESQUISA

A primeira limitação decorre da velocidade de transformação do campo. Plataformas alteram políticas, formatos, programas de monetização e terminologia com frequência, de modo que qualquer taxonomia precisa registrar data de corte e mecanismo de atualização. A segunda limitação é a natureza heterogênea do corpus: documentos setoriais, literatura acadêmica e materiais institucionais cumprem funções epistemológicas diferentes e não devem ser tratados como evidências equivalentes. A hierarquia metodológica proposta busca mitigar essa diferença, mas não a elimina.

A terceira limitação é a ausência, nesta etapa, de validação empírica por painel de especialistas, entrevistas com creators, análise de contratos ou teste estatístico de confiabilidade entre classificadores. O presente estudo é conceitual e documental. Os indicadores empíricos brasileiros mobilizados na discussão cumprem função de triangulação e contextualização e não equivalem a teste de validade ou de confiabilidade da taxonomia. Uma fase posterior poderá operacionalizar o modelo e submetê-lo a validação com especialistas, empresas, creators, agências e pesquisadores. A quarta limitação diz respeito à internacionalização: categorias desenvolvidas em mercados anglófonos podem não ter correspondência perfeita no Brasil, razão pela qual a contextualização deve permanecer contínua.

Por fim, algumas fronteiras são deliberadamente porosas. A classificação de influencer como agente/posição e influência como função ilustra que determinados conceitos atravessam dimensões. O objetivo da taxonomia não é eliminar toda ambiguidade, mas tornar explícita a natureza da ambiguidade e impedir que categorias heterogêneas sejam tratadas como equivalentes sem justificativa.

8 AGENDA DE PESQUISA FUTURA

A agenda de continuidade recomendada compreende sete frentes principais:

Validação por especialistas: aplicação de método Delphi ou painel estruturado para testar clareza, completude e estabilidade das dimensões.

Aplicação empírica: classificação de amostra de creators brasileiros e medição de concordância entre avaliadores.

Economia e contratos: análise dos fluxos de receita, direitos de uso, licenciamento, exclusividade, afiliação e modelos de remuneração.

IA e autenticidade: monitoramento de virtual influencers, digital twins, agentes autônomos, conteúdos sintéticos e padrões de disclosure.

Proteção infantojuvenil: desenvolvimento de submodelo específico para crianças e adolescentes, com foco em publicidade, direitos, trabalho, dados e desenho de plataformas.

Mensuração: desenvolvimento de matriz que relacione audiência, engajamento, influência, conversão, brand lift, vendas e valor de longo prazo.

Diversidade e desigualdades: investigação da distribuição de oportunidades, renda, visibilidade e intermediação entre grupos sociais no mercado brasileiro.

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise comparada do corpus indica que uma única lista de profissões digitais é insuficiente para representar, com precisão analítica, a heterogeneidade observada na economia da criação de conteúdo. O ecossistema combina identidades, funções, formatos, relações econômicas, modelos de negócio e infraestruturas que podem se sobrepor. Reconhecer essa multidimensionalidade constitui, nesta proposta, uma estratégia de organização conceitual para produzir uma linguagem mais consistente e útil a diferentes públicos.

A Taxonomia Brasileira Multidimensional proposta organiza o campo em seis dimensões: agente; formato e canal; função; relação econômica; negócio e monetização; intermediação e infraestrutura. A estrutura foi concebida para representar múltiplos papéis simultâneos e reduzir confusões recorrentes. Creator e influencer podem se sobrepor; afiliado não é sinônimo de influencer; UGC contratado não depende necessariamente da audiência do creator; brand ambassador descreve relação continuada com marca; creator marketplace é infraestrutura; e revenue share é mecanismo de monetização.

O modelo também oferece uma base passível de atualização diante de inteligência artificial, conteúdo sintético, mensuração e novas formas de comércio. Em vez de reconstruir toda a taxonomia a cada inovação, novos fenômenos podem ser posicionados nas dimensões existentes ou justificar a criação de subcategorias documentadas. Essa propriedade favorece a atualizabilidade do modelo em um campo de rápida transformação.

Como contribuição à comunicação pública, a pesquisa oferece uma arquitetura que conecta rigor científico e comunicação pública. O artigo registra o caminho metodológico e a fundamentação; o Guia traduz os resultados em mapas, diagramas, cards, fluxogramas e definições curtas; e a publicação no site pode apresentar o problema, o método, os principais achados e links para os produtos completos. Com isso, a pesquisa deixa de ser apenas um glossário e se torna uma estrutura analítica capaz de apoiar debate público, práticas de mercado e estudos futuros sobre a economia da criação de conteúdo no Brasil.

REFERÊNCIAS

ABIDIN, Crystal. Internet celebrity: understanding fame online. Bingley: Emerald Publishing, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10520:2023: informação e documentação - citações em documentos - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724:2024: informação e documentação - trabalhos acadêmicos - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2024. Versão corrigida em 2025.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023:2018: informação e documentação - referências - elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6028:2021: informação e documentação - resumo, resenha e recensão - apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.

CONAR - CONSELHO NACIONAL DE AUTORREGULAMENTAÇÃO PUBLICITÁRIA. Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais. São Paulo, 2026. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

CUNNINGHAM, Stuart; CRAIG, David. Social media entertainment: the new intersection of Hollywood and Silicon Valley. New York: NYU Press, 2019.

DUFFY, Brooke Erin. (Not) getting paid to do what you love: gender, social media, and aspirational work. New Haven: Yale University Press, 2017.

EUROPEAN COMMISSION. Influencer Legal Hub. Brussels, 2023-. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

EUROPEAN UNION INTELLECTUAL PROPERTY OFFICE (EUIPO); EUROPEAN COMMISSION. IP for Influencers. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

FEDERAL TRADE COMMISSION. Disclosures 101 for Social Media Influencers. Washington, DC, 2019. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

FEDERAL TRADE COMMISSION. FTC's Endorsement Guides: What People Are Asking. Washington, DC, 2023. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

HUND, Emily. The influencer industry: the quest for authenticity on social media. Princeton: Princeton University Press, 2023.

IAB - INTERACTIVE ADVERTISING BUREAU. Economia da criação de conteúdo: definições e taxonomia [título traduzido]. New York, 9 Apr. 2025a. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB - INTERACTIVE ADVERTISING BUREAU. Mapa do ecossistema da economia da criação de conteúdo [título traduzido]. New York, versão final atualizada em 25 fev. 2025b. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB - INTERACTIVE ADVERTISING BUREAU. O panorama da mensuração na economia da criação de conteúdo [título traduzido]. New York, 29 Jan. 2026a. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB - INTERACTIVE ADVERTISING BUREAU. AI Transparency & Disclosure Framework V2. New York, 18 Aug. 2026b. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB BRASIL. Mapa mental do ecossistema da economia da criação de conteúdo. São Paulo, 27 fev. 2025a. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB BRASIL. IA na economia da criação de conteúdo: Escala, Autenticidade e Impacto. São Paulo, 1 ago. 2025b. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB BRASIL; DIGITAL FAVELA. Publicidade digital na economia da criação de conteúdo: práticas para uma abordagem ética e transparente. São Paulo, 2024. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB BRASIL; OFFERWISE. Pesquisa #Publi 2024: O impacto da economia da criação de conteúdo entre gerações do Brasil. São Paulo, 2024. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

IAB BRASIL; OFFERWISE. Pesquisa #Publi 2025: identificação e autenticidade na economia da criação de conteúdo. São Paulo, 2025. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

ISBA - INCORPORATED SOCIETY OF BRITISH ADVERTISERS; IMTB - INFLUENCER MARKETING TRADE BODY. Influencer Marketing Code of Conduct. Version 4. London, 28 nov. 2024. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

KARHAWI, Issaaf. Influenciadores digitais: conceitos e práticas em discussão. Communicare, São Paulo, v. 17, edição especial, 2017.

KARHAWI, Issaaf. Entre algoritmos, métricas de engajamento e plataformas digitais: influenciadores digitais e trabalho de visibilidade. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, v. 23, n. 46, 2024. DOI: Acessar fonte. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

KARHAWI, Issaaf; PRAZERES, Michelle. Exaustão algorítmica: influenciadores digitais, trabalho de plataforma e saúde mental. RECIIS - Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, v. 16, n. 4, p. 800-819, 2022. DOI: Acessar fonte.

PEREIRA, Danilo Nunes Dias; BORGES, Júlia de Aquino V. G. Mapeando o ecossistema da economia da criação de conteúdo no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 47., 2024, Balneário Camboriú. Anais [...]. São Paulo: Intercom, 2024. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

POELL, Thomas; NIEBORG, David B.; DUFFY, Brooke Erin. Platforms and cultural production. Cambridge: Polity Press, 2022.

YOUPIX. Mapa brasileiro da economia da criação de conteúdo. São Paulo, atualização set. 2025. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

YOUPIX; BRUNCH. Creators & Negócios 2025. 6. ed. São Paulo, 2025. Disponível em: Acessar fonte. Acesso em: 16 set. 2026.

APÊNDICE A - MATRIZ DOS 16 CADERNOS DE PESQUISA E PRODUÇÃO

A matriz abaixo organiza a trilha de produção documental que sustenta o Guia e permite preservar evidências, decisões conceituais, versões e controle de qualidade. O artigo científico funciona como síntese analítica; os cadernos preservam a granularidade operacional da pesquisa.

Caderno

Frente

Entrega principal

Status

01

Plano Mestre

Problema, hipótese, objetivos, método, evidências, escopo e QA.

Concluído

02

Banco de fontes

Pesquisa bibliográfica, documental e de mercado com fichamento.

Conteúdo consolidado no artigo; fontes fechadas no Apêndice D.

03

Matriz de evidências

Rastreabilidade entre fontes, conceitos e decisões.

Rastreabilidade R1-R22 incorporada no Apêndice D.

04

Mapeamento conceitual

Inventário de agentes, funções, formatos, relações e infraestrutura.

Conteúdo consolidado no artigo e no glossário taxonômico.

05

Comparação de definições

Matriz de convergências, divergências e lacunas.

Comparação incorporada ao protocolo e à discussão.

06

Contextualização brasileira

Ajustes terminológicos e econômicos ao mercado nacional.

Contextualização brasileira reforçada nesta versão.

07

Sistematização

Definições propostas e regras de classificação.

Definições propostas consolidadas no glossário; sujeitas à validação institucional.

08

Taxonomia multidimensional

Modelo central, relações e visualizações.

Base desenvolvida neste artigo

09

Negócios e monetização

Fontes de receita, ativos e modelos de negócio.

Base desenvolvida neste artigo

10

Publicidade e relações comerciais

Publicidade, UGC, afiliação, patrocínio, embaixadoria e transparência.

Base desenvolvida neste artigo

11

Tecnologia, dados e IA

IA, conteúdo sintético, mensuração e infraestrutura.

Base desenvolvida neste artigo

12

Crianças e adolescentes

Participação, proteção, publicidade e governança.

Escopo e salvaguardas delimitados nesta versão.

13

Glossário

Definições finais e "não confundir com".

Glossário ampliado e consolidado nesta versão.

14

Arquitetura da informação

Conversão da pesquisa em mapas, cards, tabelas e fluxos.

Arquitetura editorial sintetizada no Apêndice B e no roteiro do Guia.

15

Redação e normalização

Texto definitivo, revisão ABNT e adequação editorial.

Revisão técnico-científica e normalização concluídas nesta versão v1.0.

16

QA e fechamento

Auditoria de fontes, consistência, versões e pacote final.

Auditoria de consistência, fontes e versionamento concluída nesta versão v1.0.

Quadro A1 - Matriz dos 16 Cadernos. Fonte: elaboração própria.

APÊNDICE B - PROPOSTA DE DIVULGAÇÃO DA PESQUISA

A divulgação da pesquisa combina contextualização, síntese dos resultados e acesso ao estudo completo. A página Trama Digital apresenta exemplos e um mapa de leitura, com acesso ao artigo para aprofundamento conceitual e metodológico.

B.1 Título editorial recomendado

TRAMA DIGITAL E A ORGANIZAÇÃO DA CRIAÇÃO DE CONTEÚDO NO BRASIL

B.2 Linha fina

Pesquisa sistematiza agentes, funções, formatos, relações comerciais, modelos de monetização e intermediários para oferecer uma linguagem comum ao ecossistema brasileiro de creators.

B.3 Texto-base para a página

A autora apresenta um estudo dedicado à organização conceitual da economia da criação de conteúdo no Brasil. A pesquisa parte de um problema recorrente em um mercado em rápida transformação: termos como creator, influencer, UGC creator, streamer, afiliado, KOL e embaixador de marca são frequentemente utilizados como se fossem equivalentes, apesar de descreverem dimensões distintas da atividade econômica e comunicacional.

Com base em pesquisa bibliográfica, documental e analítico-comparativa, o trabalho reúne referências setoriais brasileiras e internacionais, estudos acadêmicos, documentos de autorregulação e materiais sobre plataformas, publicidade, influência, trabalho digital, monetização e inteligência artificial.

O principal resultado é a proposta de uma Taxonomia Brasileira Multidimensional da economia da criação de conteúdo, organizada em seis dimensões: agente; formato e canal; função; relação econômica; negócio e monetização; intermediação e infraestrutura. O modelo permite reconhecer que uma mesma pessoa pode atuar simultaneamente como creator, influencer, streamer, afiliada e empreendedora, sem que essas categorias sejam necessariamente excludentes.

A pesquisa também diferencia audiência, influência e conversão; organiza as principais fontes de receita do ecossistema; examina relações como publicidade, UGC contratado, afiliação, patrocínio e brand ambassador; e incorpora desafios emergentes relacionados a mensuração, inteligência artificial, conteúdo sintético e transparência.

A proposta busca contribuir para uma linguagem mais clara entre creators, empresas, agências, plataformas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, preservando particularidades do mercado brasileiro e permitindo atualização à medida que novas formas de criação e monetização surgem.

B.4 Chamadas para ação

EXPLORE A TRAMA DIGITAL

LEIA O ARTIGO CIENTÍFICO COMPLETO

CONSULTE O MAPA DA TAXONOMIA BRASILEIRA MULTIDIMENSIONAL

B.5 Estrutura visual recomendada

Bloco da página

Conteúdo

Objetivo

Imagem de abertura

Mapa-síntese da taxonomia multidimensional.

Transformar o principal resultado em identidade visual.

Contexto

2 a 3 parágrafos curtos sobre fragmentação terminológica e expansão do ecossistema.

Introduzir o problema.

Método

Box: mapear > comparar > contextualizar > sistematizar > propor.

Evidenciar rigor sem sobrecarregar a página.

Achado central

Seis dimensões com ícones ou cards.

Permitir compreensão em poucos segundos.

Exemplo prático

Uma pessoa, vários papéis.

Demonstrar a lógica cumulativa.

CTA

Guia | Artigo | Mapa.

Oferecer diferentes níveis de aprofundamento.

Quadro B1 - Arquitetura recomendada para a divulgação da pesquisa. Fonte: elaboração própria.

B.6 Metadados sugeridos

Elemento

Proposta

Slug

trama-digital-pesquisa

Meta title

Trama Digital | Pesquisa de Ana Maria Carvalheiro

Meta description

Pesquisa de Ana Maria Carvalheiro organiza os participantes, a influência, as fontes de receita, as relações comerciais e a infraestrutura da criação de conteúdo.

Categoria

Publicações / Estudos

Imagem social

Mapa-síntese da taxonomia em proporção 1,91:1 e versão quadrada para redes sociais.

Tags

economia da criação de conteúdo; creators; influenciadores; plataformas; publicidade digital; monetização; inteligência artificial.

APÊNDICE C - CHECKLIST DE RASTREABILIDADE E QUALIDADE

Antes da publicação final do Guia e do artigo, recomenda-se aplicar o seguinte checklist de encerramento:

Gate

Pergunta de controle

Fontes

Toda referência essencial está identificada, datada, acessível e corretamente citada?

Conceitos

Cada conceito central possui definição, fontes e justificativa dimensional?

Brasil

Termos importados foram contextualizados ao uso brasileiro?

Sobreposições

As categorias cumulativas estão explicitadas, evitando falsas exclusões?

Publicidade

Relações econômicas e deveres de transparência estão descritos sem transformar o Guia em parecer jurídico?

IA

Conteúdo sintético, virtual influencers e disclosure estão atualizados até a data de fechamento?

Mensuração

Audiência, influência, conversão e receita estão diferenciadas?

Infância

Referências a crianças e adolescentes possuem salvaguardas e linguagem apropriada?

Visualização

Cada figura ou quadro cumpre função analítica e não apenas decorativa?

Consistência

Não há contradições entre artigo, Guia, glossário e mapa-síntese?

ABNT

Citações, referências, resumo, palavras-chave, margens e estrutura foram revisados?

Versão

O documento final possui identificação inequívoca de versão e data?

Publicação

Links, QR Codes e arquivos disponibilizados ao público foram testados?

Quadro C1 - Checklist de encerramento científico, editorial e documental. Fonte: elaboração própria.

APÊNDICE D - MATRIZ DE RASTREABILIDADE DAS FONTES R1-R22

A matriz abaixo fecha a rastreabilidade entre a bibliografia-base do roteiro do Guia e a versão técnico-científica v1.0. Cada código R1-R22 está vinculado a uma função analítica, às seções em que sua contribuição foi incorporada e a uma entrada bibliográfica identificável na lista de referências. O fechamento documental não converte fontes setoriais em validação empírica primária da taxonomia; sua função é garantir auditabilidade, triangulação e transparência de origem.

Código

Fonte-base

Função na pesquisa

Seções / fechamento

R1

IAB. Economia da criação de conteúdo: definições e taxonomia [título traduzido] (2025).

Vocabulário estruturante, categorias, relações comerciais e terminologia.

1; 3; 5; 6.1 — incorporada e citada.

R2

IAB. Mapa do ecossistema da economia da criação de conteúdo [título traduzido] (versão final 25 fev. 2025).

Arquitetura ecossistêmica, agentes, processos, intermediação e fluxos.

1; 3.1; 3.4; 5.2; 6.1 — incorporada e citada.

R3

IAB Brasil. Mapa mental do ecossistema da economia da criação de conteúdo (2025).

Adaptação/contextualização brasileira do mapa e linguagem setorial.

1; 3.1; 4; 6.2 — incorporada e citada.

R4

IAB Brasil; Offerwise. Pesquisa #Publi 2025.

Evidência empírica descritiva sobre autenticidade, confiança, influência e consumo.

4.2; 6.2 — incorporada; 7 explicita limites.

R5

IAB Brasil; Offerwise. Pesquisa #Publi 2024.

Evidência empírica descritiva sobre gerações, consumo de conteúdo e publis.

4.2; 6.2 — incorporada; amostra de 1.500 respondentes registrada.

R6

IAB Brasil; Digital Favela. Publicidade digital na economia da criação de conteúdo (2024).

Conteúdo editorial x comercial, publicidade, publis e transparência.

3.6; 5.6; 6.5 — incorporada e citada.

R7

CONAR. Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais (2026).

Autorregulação brasileira: publicidade, identificação, IA e proteção infantojuvenil.

3.6; 6.5; 6.7 — incorporada e citada.

R8

YOUPIX. Mapa brasileiro da economia da criação de conteúdo (atualização set. 2025).

Players nacionais, plataformas, agências, tecnologia e intermediários.

3.4; 4; 6.2 — incorporada e citada.

R9

Pereira; Borges. Mapeando o ecossistema da economia da criação de conteúdo no Brasil (Intercom, 2024).

Mapeamento acadêmico nacional, atores, configurações e modelos de negócio.

1; 4; 6.2 — incorporada e citada.

R10

YOUPIX; Brunch. Creators & Negócios 2025.

Profissionalização, renda, UGC, sustentabilidade e creator como negócio.

3.5; 6.2 — incorporada com indicadores descritivos.

R11

Cunningham; Craig. Social Media Entertainment (2019).

Indústria de creators, plataformas, intermediação e produção social.

1; 3.1 — incorporada e citada.

R12

Hund. The Influencer Industry (2023).

Autenticidade, profissionalização e estrutura econômica da influência.

1; 3.2; discussão conceitual — incorporada e citada.

R13

Abidin. Internet Celebrity (2018).

Celebridade digital, notoriedade, microcelebridade e tipos de influência.

1; 3.2; glossário — incorporada e citada.

R14

Duffy. (Not) Getting Paid to Do What You Love (2017).

Trabalho aspiracional, profissionalização, desigualdades e economia criativa digital.

1; 3.3 — incorporada e citada.

R15

IAB. O panorama da mensuração na economia da criação de conteúdo [título traduzido] (2026).

Mensuração, proxies, atribuição, audiência, influência, conversão e receita.

3.7; 5.4; 6.4 — incorporada e citada.

R16

European Commission. Influencer Legal Hub (2023-).

Contraste institucional: creator como anunciante/vendedor e relações econômicas.

3.6; 6.5 — incorporada e citada.

R17

FTC. Disclosures 101 for Social Media Influencers (2019).

Conexões materiais, disclosure e relações creator-marca.

3.6; 6.5 — incorporada e citada.

R18

FTC. Endorsement Guides: What People Are Asking (2023).

Endorsements, affiliate marketing, benefícios e transparência.

3.6; 6.5 — incorporada e citada.

R19

ISBA; IMTB. Influencer Marketing Code of Conduct, Version 4 (28 nov. 2024).

Estrutura de mercado, contratação, mensuração, disclosure, marcas, agências, talentos e creators.

3.4 — incorporada nominalmente; referência normalizada para ISBA/IMTB.

R20

EUIPO; European Commission. IP for Influencers ([s.d.]).

Propriedade intelectual como ativo: copyright, marcas, desenhos e exploração de direitos.

3.5 — incorporada nominalmente; autoria colaborativa registrada.

R21

IAB Brasil. IA na economia da criação de conteúdo: Escala, Autenticidade e Impacto (2025).

Uso de IA, escala, autenticidade, conteúdo e novos formatos.

3.7; 6.6 — incorporada e citada.

R22

IAB. AI Transparency & Disclosure Framework V2 (18 ago. 2026).

IA assistida/generativa, conteúdo sintético, voz sintética, digital twins e disclosure.

3.7; 6.6 — incorporada e citada.

Nota de fechamento: R19 foi conferida na fonte oficial da ISBA e normalizada como documento conjunto ISBA/IMTB, Version 4, publicado em 28 de novembro de 2024. R20 foi conferida na página oficial do EUIPO: os materiais IP for Influencers foram criados pelo EUIPO e pela Comissão Europeia e integram o Influencer Legal Hub. As referências completas e os endereços de acesso constam na seção Referências.

Ana Maria CarvalheiroPesquisadora responsávelBrasília/DF - 16 de setembro de 2026

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